NOSSO MANIFESTO

Desenvolvido no século XIX, o feminismo sempre reivindicou igualdade e direito às mulheres em diversas esferas da sociedade; da garantia ao voto à liberdade sexual. Às sombras de pais e companheiros, tidas como bruxas ou prostitutas, as mulheres iniciaram os primeiros passos à libertação. Anos depois, boa parte da opressão que ainda nos atinge mostra que as raízes partem de um sistema patriarcal que sustentou e ainda sustenta uma cultura machista. Diante de um modelo social complexo, está o futebol, um universo onde a submissão se faz valer de forma coercitiva e vergonhosa. Mas também diante a esse modelo, estão também as tradições vanguardistas e democráticas carregadas por gerações corinthianas. E foi para enfrentar e lutar contra a imposição machista ainda presenciada em nossa sociedade e no futebol que o Movimento Toda Poderosa Corinthiana nasceu.

Os impedimentos impostos às mulheres estão longe de ser apenas os impedimentos cobrados em campo. Eles extrapolam as quatro linhas e alimentam a nossa exploração em sua totalidade, nos privando de realizar ações simples do cotidiano, como a simples liberdade de viver uma paixão. A paixão de ir ao estádio sem sofrer assédio, a paixão de acompanhar seu time onde quer que ele vá, a paixão de compartilhar arquibancadas igualitárias e a paixão de se sentir segura por vestir o manto do seu time.

 

Queremos ter a possibilidade de ocupar cargos na Diretoria do Sport Club Corinthians Paulista e o direito de poder balançar uma bandeira dentro de uma Torcida Organizada sem sofrer repressões. Queremos a prerrogativa de frequentar as arquibancadas e os bastidores do futebol sem nos sentirmos um pedaço de carne. 
 

Queremos um mundo onde, optar por ser árbitra ou jogadora de futebol, não nos tire a autonomia de ser mulher. Queremos ter a coragem e a certeza de que, quando denunciarmos uma violência praticada por um jogador ou treinador, a sociedade nos ouvirá e estará do nosso lado.

 

Queremos transformar o Corinthians e a sua torcida em um ambiente de igualdade e respeito com as mulheres, pois, mesmo que alguns insistam em negar, somos o Time do Povo, o qual, desde sua fundação, em 1910, briga contra a segregação e a exclusão das minorias, mostrando que todos têm o direito de vestir a camisa alvinegra. Sendo assim, nós mulheres também queremos estar inclusas como parte essencial e fiel nessa história!

 

Por isso, o MTPC acredita no nosso poder de auto-organização como meio de identificar os reais problemas que ainda enfrentamos, criando uma união forte entre essas poderosas mulheres em prol das mesmas demandas; formando um verdadeiro fronte de luta contra toda essa cultura de exclusão que nos tira a liberdade de sermos quem realmente somos e marchando juntas pela paixão que nos move: o Corinthians.

 

Salve o Corinthians! Salve todas as mulheres Corinthianas!